1- A reprodução assistida ajuda casais HIV sorodiscordantes a serem pais e mães de modo seguro?
É importante entendermos que os tratamentos médicos atuais diminuem os riscos de transmissão do HIV, mas não eliminam completamente! Contudo há boas evidências de que as técnicas de reprodução assistida, como a lavagem do sêmen em laboratório, podem eliminar mais de 99% dos vírus do sêmen coletado, reduzindo o risco de contaminação do parceiro(a) e dos filhos.
2 – Por que a contaminação com HIV preocupa a Medicina Reprodutiva?
Infelizmente ainda observamos números crescentes de infectados pelo HIV no mundo e, a maioria deles está em idade reprodutiva. Isso significa que uma população jovem, de risco, merece atenção e cuidados com a saúde reprodutiva pelo risco de transmissão do HIV aos parceiros sexuais e aos descendentes.
3 – Como são os tratamentos de reprodução assistida em casais HIV sorodiscordantes?
Existem alguns caminhos que podemos seguir nesses casos. Todos têm em comum a recomendação do uso correto de medicação antirretroviral por pelo menos seis meses pelo parceiro infectado, visando níveis baixos ou indetectáveis carga viral.
4 – Quais são as opções de tratamento de reprodução assistida para casais HIV sorodiscordantes?
1. Para aqueles casais sem infertilidade, que não tenham acesso a técnicas de reprodução assistida:
É possível tentar engravidar com segurança e sem grandes custos financeiros, através da relação sexual programada se o parceiro (a) estiver com infecção controlada, fazendo uso correto das medicações. O parceiro(a) não contaminado deve usar a profilaxia pré-exposição (PrEP) antes da relação sexual, os coitos desprotegidos devem limitar-se ao período fértil da parceira.
2. Para casais com infertilidade e com acesso às técnicas de reprodução assistida:
Dependendo do perfil do casal, existem os seguintes tratamentos:
• Homem HIV+ e parceira soronegativa:
O sêmen coletado deve ser lavado, em laboratório, para eliminar as partículas virais. Depois, essa amostra deve ser testada para avaliar se esta totalmente livre do vírus. Por fim, poderá ser realizada a inseminação intrauterina ou fertilização in vitro, segundo indicação médica.
• Mulher HIV+ e parceiro soronegativo:
Podem ser realizadas as técnicas de reprodução assistida ou a autoinseminação da parceira. Os cuidados para evitar a transmissão do HIV ao filho devem ser mantidos durante a gravidez o parto e a amamentação, o que pode reduzir o risco de transmissão do HIV para o bebê a menos de 2%.
5 -O que mais é importante considerar?
É fundamental que ambos os parceiros sejam submetidos a um exame de saúde sexual antes de iniciar o tratamento de fertilidade. O parceiro não infectado do casal discordante deve ser testado para HIV em intervalos de três meses, nessa fase e durante a gravidez, e o acompanhamento do casal por equipe multiprofissional é indispensável!
Essa postagem é de caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Procure um profissional especialista antes de qualquer tratamento.


