De acordo com o artigo publicado no Estadão, ainda vivemos em um mundo separado por gêneros , onde até mesmo na medicina o sexismo ainda sustenta práticas desde Hipócrates . Elinor editora deste jornal descreve que a capacidade e o “dever” da mulher reproduzir historicamente monopolizou conhecimentos sobre a biologia feminina. Não por acaso os “especialistas “ do passado relacionavam o útero a diversos problemas, inclusive a histeria. Décadas se passaram com descrições anatômicas e fisiológicas da mulher sem qualquer testemunho de uma delas .
Apesar de ter evoluído, a medicina ainda precisa prestar muito mais atenção aos problemas femininos para aperfeiçoar diagnósticos e tratamentos.
Por exemplo a endometriose que foi descrita em detalhes em 1920, apesar de seus sintomas já frequentarem a literatura médica muito antes. Atualmente sabe-se que ela afeta 2-10% da população, mais de 50%das pacientes são inférteis e 190 milhões são adolescentes.
O tempo entre os sintomas e o diagnóstico varia 8-12 anos e apresenta sintomas como cólica menstrual , dor na relação sexual , dor no ombro , dor para urinar ou evacuar e infertilidade , pode ainda apresentar sintomas inespecíficos como tosse e fadiga.
O diagnóstico envolve o exame físico, exames de imagem e laparoscopia, o tratamento com analgésicos , progestagênios como diu hormonal ou implanon e em alguns casos a cirurgia.
Hoje com a evolução dos estudos se sabe que por ser uma doença inflamatória hábitos de vida adequados como alimentação e atividade ajudam na reabilitação.
Por fim , segundo a editora, não podemos mais ignorar dores e opiniões femininas, pois o sistema médico ainda é influenciado por idéias religiosas , culturais e políticas particularmente relacionadas à sexualidade e reprodução.
“Para desmantelar esse legado de dor, a medicina deve ouvir e acreditar em nossos testemunhos sobre nosso corpo e usar tempo e dinheiro para resolver mistérios médicos”.
Dra. Veridiana Salutti
O Estado de S. Paulo.
02 de mar. de 2023
Essa postagem é de caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Procure um profissional especialista antes de qualquer tratamento.


