Desde o primeiro nascimento de FIV em 1978, a ciência reprodutiva vem evoluindo rapidamente. Em 1986, nasceu o primeiro bebê proveniente de óvulo congelado. Naquela época, o congelamento era um processo lento, em que muitas células eram perdidas devido aos cristais de gelo formados. Nos últimos 10 anos, após o advento da vitrificação, uma técnica de congelamento rápido, a preservação da fertilidade se popularizou na prática médica.
Mas, como saber se os óvulos guardados hoje, realmente tem um bom potencial para gerar vida no futuro, quando enfim, forem ser utilizados?
Atualmente, os parâmetros utilizados são baseados em critérios morfológicos, avaliados subjetivamente pelo embriologista, tais como: o tamanho da célula, o espaço extracelular, a zona pelúcida, o aspecto do corpúsculo polar e a presença de inclusões citoplasmáticas.
A ciência busca novos parâmetros que possam ser mais confiáveis na avaliação da qualidade do óvulo a ser congelado1,2,3. Em janeiro de 2021, foi publicado artigo russo, mostrando que é possível fazer uma tomografia computadorizada do óvulo. Em apenas um minuto, são feitos 50 cortes sem danificar o óvulo, trazendo a possibilidade de avaliar sua estrutura tridimensional por reconstrução da imagem em programa de computador.
Outra forma de abordagem encontrada pelos pesquisadores, foi analisar as células do “cumulus oophorus” que formam uma espécie de envoltório protetor para o óvulo, transmitindo nutrientes e informações. São células que saem durante a coleta de óvulos e que são habitualmente descartadas, após separadas do óvulo no laboratório, num processo conhecido como denudação.
Pesquisa recente4, mostrou que o alto índice de fragmentação das células do cumulus (>=24%) está associado a óvulo de baixa qualidade, imaturo e com baixo potencial de fertilização. Além disso, pesquisas atuais5 têm buscado identificar marcadores de expressão gênica, que possam se correlacionar com boas chances de gravidez e nascimento.
É bem provável que em breve tenhamos testes clínicos para definir se os óvulos a serem guardados na preservação da fertilidade, realmente têm um bom potencial reprodutivo.
1-Pogorelov AG, Makarova NP, Kalinina EA, Panait AI, Pogorelova VN, Sukhih GT. Laser Microtomography for IVF Oocyte of Human. Dokl Biochem Biophys. 2021 May;498(1):190-192. doi: 10.1134/S1607672921030078. Epub 2021 Jun 29. PMID: 34189648.
2-Hoshino Y. Updating the markers for oocyte quality evaluation: intracellular temperature as a new index. Reprod Med Biol. 2018 Sep 27;17(4):434-441. doi: 10.1002/rmb2.12245. PMID: 30377396; PMCID: PMC6194278.
3-Iwata H. Resveratrol enhanced mitochondrial recovery from cryopreservation-induced damages in oocytes and embryos. Reprod Med Biol. 2021 Jun 27;20(4):419-426. doi: 10.1002/rmb2.12401. PMID: 34646069; PMCID: PMC8499604.
4-Baratas A, Gosálvez J, de la Casa M, Camacho S, Dorado-Silva M, Johnston SD, Roy R. Cumulus Cell DNA Damage as an Index of Human Oocyte Competence. Reprod Sci. 2021 Dec 14. doi: 10.1007/s43032-021-00817-7. Epub ahead of print. PMID: 34907517.
5-Iager AE, Kocabas AM, Otu HH, Ruppel P, Langerveld A, Schnarr P, Suarez M, Jarrett JC, Conaghan J, Rosa GJM, Fernández E, Rawlins RG, et al. Identification of a novel gene set in human cumulus cells predictive of an oocyte’s pregnancy potential. Fertil Steril. 2013; 99:745–52.
Essa postagem é de caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Procure um profissional especialista antes de qualquer tratamento.


