Câncer de Mama e Gravidez: O Desafio do Diagnóstico e Tratamento

Felizmente, o diagnóstico de câncer durante a gravidez é raro, mas, entre os tumores, o câncer de mama é o mais comum. Aproximadamente entre 0,2% e 2,6% de todos os casos de câncer de mama são diagnosticados durante a gravidez, e de 35% a 55% desses casos ocorrem entre 5 e 10 anos após o parto. Não parece haver um fator de risco específico para o desenvolvimento do câncer de mama durante a gestação, mas quando ocorre o diagnóstico, as mulheres devem ter acesso ao aconselhamento genético, levando em consideração sua idade e as consequências clínicas envolvidas.

Diagnosticar e tratar mulheres grávidas com câncer de mama requer uma equipe multidisciplinar. Embora as gestantes normalmente precisem seguir os mesmos tratamentos das mulheres não grávidas, existem considerações específicas em relação ao diagnóstico, estadiamento, tratamento oncológico e cuidados obstétricos.

O diagnóstico de câncer de mama em gestantes muitas vezes é mais desafiador devido às alterações que ocorrem nas mamas durante a gravidez, como aumento da densidade mamária e secreção pelo mamilo. Portanto, qualquer suspeita com duração superior a duas semanas durante a gestação deve ser investigada.

As principais ferramentas de diagnóstico incluem o exame físico (identificação de nódulos palpáveis), mamografia e ultrassonografia das mamas. Métodos que utilizam radiação ionizante devem ser reservados para casos nos quais a abordagem clínica seja necessária e/ou possa influenciar o tratamento. Em casos suspeitos, a biópsia é indicada. Quanto à ressonância magnética com contraste à base de gadolínio, é necessário pesar o risco-benefício, uma vez que o gadolínio pode atravessar a barreira placentária e ainda não se conhece totalmente os efeitos a longo prazo para o feto desse contato.

O estadiamento do câncer de mama em gestantes segue o mesmo protocolo utilizado para mulheres não grávidas, com ênfase em casos de alto risco, como possível envolvimento de linfonodos axilares, tumores maiores que 5 cm, tumores com características agressivas, sinais clínicos e sintomas que sugerem metástases.

O início do tratamento do câncer durante a gravidez geralmente reduz os riscos de parto prematuro. A cirurgia pode ser realizada em qualquer fase da gestação, mas apresenta riscos, como parto prematuro, perdas gestacionais e estresse fetal. As cirurgias devem ser programadas em centros com suporte neonatal e obstétrico.

A radioterapia pode ser realizada até a metade inicial da gestação, enquanto a quimioterapia pode ser administrada após a 12ª semana. No entanto, imunobiológicos devem ser evitados durante todo o período gestacional.

Deve-se ter cuidado com altas doses de radiação durante a radioterapia, pois isso pode acarretar riscos como aborto, restrição de crescimento fetal, malformações e microcefalia. Além disso, o feto pode sofrer efeitos cumulativos da radioterapia, com um risco aumentado de desenvolver leucemia na infância.

Os tratamentos disponíveis dependem das características biológicas do tumor, como tamanho e presença de receptores para estrogênio, progesterona e hormônio de crescimento. Infelizmente, os subtipos mais comuns em gestantes são os mesmos encontrados em mulheres jovens e tendem a ser mais agressivos, com tumores maiores e comprometimento dos linfonodos, além de não possuírem receptores hormonais.

Os tratamentos devem ser planejados com o objetivo de abordar o tumor de forma eficaz, levando em consideração as características do tumor, estadiamento, idade gestacional e os desejos da paciente e do parceiro.

A quimioterapia deve seguir os mesmos protocolos utilizados para mulheres não grávidas e pode ser administrada como tratamento neoadjuvante (antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor) ou como primeira linha para pacientes com metástases confirmadas. Antes das 12 semanas de gestação, há um maior risco de malformações congênitas. Após o primeiro trimestre, as taxas de malformações se equiparam à população em geral. O principal risco da quimioterapia para o feto é a restrição de crescimento intrauterino, portanto, a avaliação fetal deve ser rigorosa.

O desenvolvimento fetal pode ser impactado pela doença materna, procedimentos diagnósticos, tratamento oncológico e estresse materno. Deve-se tentar priorizar o parto a partir das 37 semanas de gestação, pois a prematuridade por si só pode acarretar riscos para o bebê. Caso não haja contraindicações, o parto vaginal deve ser considerado, uma vez que as mães geralmente estarão imunossuprimidas, e evitar o estresse adicional de uma cirurgia pode ser benéfico. É importante realizar uma avaliação placentária, pois, embora seja extremamente raro, pode haver metástase para a placenta.

Crianças expostas a tratamentos oncológicos durante a gestação devem ser acompanhadas de perto em relação ao seu crescimento, desenvolvimento neurocognitivo e neuromotor. Para aquelas expostas a antraciclinas, avaliações cardiológicas regulares são necessárias, assim como acompanhamento do desenvolvimento auditivo para aquelas expostas a derivados de platina.

Em resumo, o tratamento do câncer de mama durante a gestação é possível e deve ser considerado. A interrupção da gravidez não melhora a sobrevida materna.

Guidelines for Cancer Treatment during Pregnancy: Ethics-Related Content Evolution and Implications for Clinicians

Alma Linkeviciute 1,2,*, Rita Canario 3,4,5 , Fedro Alessandro Peccatori 2,† and Kris Dierickx 6

Breast cancer during pregnancy: epidemiology, phenotypes, presentation during pregnancy and therapeutic modalities

Ingrid Boere, medical oncologist a, *,

Christianne Lok, gynaecological oncologist b,

Philip Poortmans, radiation oncologist c,

Linetta Koppert, surgical oncologist d,

Rebecca Painter, obstetrical gynaecologist f,

Marry M. vd Heuvel-Eibrink, pediatric oncologist e, Frederic Amant, gynaecological oncologist

Essa postagem é de caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Procure um profissional especialista antes de qualquer tratamento.

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