Em pleno século XXI, a higiene íntima ainda é um tema tabu para muitas mulheres, especialmente as adolescentes.
Isso ocorre porque nem todas as mulheres têm acesso à educação sexual, seja na escola ou em casa. Falar sobre as
mudanças em nosso corpo deveria ser algo natural, mas, socialmente, ainda não é.
Ter conhecimento faz toda a diferença!
A parte externa de nossa região íntima é chamada de vulva (incluindo lábios vaginais, clitóris e períneo), enquanto a
parte interna é a vagina. Não há motivo para sentir vergonha do próprio corpo. Pegue um espelho e faça um autoteste
para se familiarizar com sua anatomia.
Sim, a vagina tem uma umidade natural
Na adolescência, começam a ser produzidos diferentes hormônios que compõem o ciclo menstrual feminino.
Portanto, é normal a existência de uma secreção natural que mantém a umidade vaginal. Essa secreção é geralmente
em pequena quantidade, clara ou transparente, sem cheiro e não causa desconforto.
Deixe sua vulva e vagina respirarem
Evite roupas que impeçam a ventilação e opte por calcinhas de algodão e não apertadas. Evite ficar com roupas
úmidas por longos períodos, como biquínis molhados ou após atividades físicas, pois isso cria um ambiente propício
para o crescimento de fungos. Lave as roupas íntimas com sabão neutro e evite o uso de amaciantes ou água sanitária
para evitar alergias. Não deixe as calcinhas secando no banheiro, pois elas precisam de um local seco e arejado para
evitar a proliferação de fungos ou bactérias. À noite, é aconselhável dormir sem calcinha.
Produtos de higiene íntima podem ser uma opção
Use sabonetes com pH ácido adequado para a região genital, preferencialmente sem perfume. Não exagere na
frequência; uma ou duas vezes ao dia são suficientes. Evite o uso de desodorantes ou perfumes íntimos. Sempre que
possível, lave a região genital ou use papel higiênico sem perfume e sem cor. Ao se secar após usar o banheiro, faça
movimentos da frente para trás. Os protetores de calcinha são úteis no final do ciclo menstrual, mas não devem ser
usados rotineiramente, pois podem abafar a região.
Não é necessário lavar a vagina, mas a vulva precisa de cuidados
Nosso corpo é incrível e a vagina possui um pH, temperatura e flora natural que permitem a autolimpeza e a
autorregulação. Portanto, não é necessário fazer duchas internas, pois isso pode favorecer o crescimento de
fungos e bactérias. Limpe apenas a região externa, entre as dobras dos pequenos e grandes lábios (a vulva),
usando apenas os dedos com delicadeza.
Cuidado redobrado durante a menstruação
Durante o período menstrual, a frequência da troca de absorventes depende do fluxo de cada mulher, mas, em geral, não
deve ser superior a 6 a 8 horas. Se você usa um coletor menstrual, deve higienizá-lo a cada 3 horas. Nesta fase do ciclo, é
importante que a higiene da vulva seja feita mais de uma vez ao dia.
Depilar não significa estar mais limpa e saudável
Os pelos pubianos não estão lá por acaso. Eles funcionam como uma barreira contra vírus, bactérias e fungos, além de
reduzirem o atrito da vulva com as roupas, controlarem a umidade e regularem a temperatura. A remoção completa
dos pelos pode expor mais a região e aumentar o risco de alergias e dermatites. Portanto, mulheres que optam por
depilação total têm um maior risco de infecções, corrimentos e infecções sexualmente transmissíveis, como o HPV,
que aumentam o risco de câncer. Pelos são naturais e não são sujos, mas se você preferir, pode escolher a depilação
da virilha, mantendo os pelos na parte central para não perder a proteção natural.
A informação é poder!
A educação sobre higiene íntima é fundamental para o bem-estar das adolescentes. Fornecer informações precisas e
abrir espaço para discussões abertas sobre o corpo e a saúde sexual são passos essenciais para garantir uma
transição saudável para a vida adulta.
Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde para obter orientações específicas para sua situação.


