A adolescência, definida pela Organização Mundial da Saúde como o período entre 10 e 19 anos, é uma fase marcada por transformações físicas, emocionais e sociais. Começa com a puberdade e culmina na transição para a vida adulta, caracterizada pela definição da personalidade e a integração em grupos sociais.
No Brasil, a taxa de gravidez na adolescência é alarmantemente alta, com cerca de 400 mil casos por ano. Em 2018, nasceram 434.956 crianças de mães com idades entre 15 e 19 anos. Somente em 2020, ocorreram 380.778 nascimentos de filhos de mães adolescentes, representando 14% do total de nascidos vivos. A maioria dessas gestações não é planejada, cerca de 66% delas.
Essa elevada taxa de gravidez na adolescência é um problema de saúde pública e está intrinsecamente relacionada à educação e saúde. A falta de conhecimento sobre o próprio corpo e a sexualidade, a desinformação sobre direitos sexuais e reprodutivos, e a ausência de planejamento familiar são alguns dos principais fatores que contribuem para esse cenário preocupante. Além disso, a falta de compreensão sobre métodos contraceptivos e o uso inadequado deles também desempenham um papel significativo. Questões emocionais, psicossociais e contextuais, juntamente com a falta de acesso adequado ao sistema de saúde, agravam ainda mais a situação.
É essencial destacar que, além das implicações sociais, como a interrupção da educação formal, o que pode resultar em menor qualificação profissional para as mães adolescentes, a falta de apoio familiar e a omissão da paternidade aumentam a vulnerabilidade tanto da jovem quanto do bebê. Isso é particularmente verdadeiro em famílias com recursos econômicos limitados. Além disso, há riscos significativos para a saúde da mãe e do bebê, como partos prematuros, pressão alta durante a gestação, depressão pós-parto, entre outros. A taxa de mortalidade materna também é mais elevada entre as mães adolescentes.
Os adolescentes podem procurar atendimento médico, mesmo sem a presença dos pais ou responsáveis, nas unidades básicas de saúde. Eles devem ser acolhidos e orientados por profissionais de saúde para que possam tomar decisões informadas sobre métodos contraceptivos. É relevante destacar que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma variedade de opções, como preservativos femininos e masculinos, métodos hormonais (orais e injetáveis) e dispositivos intrauterinos (DIUs).
A educação sexual desempenha um papel fundamental na prevenção da gravidez não planejada na adolescência.
Ensinar os adolescentes sobre o respeito pelo próprio corpo e fornecer informações precisas são passos importantes
para abordar essa questão complexa.
Fontes:
Tanner jm. Growth at adolescence. 2 ed. Oxford: blackwell, 1962.
Ministério da sáude www.gov.br
Brasil. Lei 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da criança e do adolescente. Brasília: ministério da justiça, 1990.
Federação brasileira das associações de ginecologia e obstetrícia
Ministério da mulher, da família e dos direitos humanos sociedade brasileira de pediatria
Esta postagem é de caráter informativo e não substitui a consulta médica. Consulte um profissional de saúde para obter orientações específicas.


