A menopausa é uma fase na vida das mulheres que ocorre devido à queda na produção de hormônios sexuais, com destaque para o estradiol. Essa diminuição hormonal traz consigo uma série de consequências para a saúde da mulher, incluindo sintomas como fogachos, alterações de humor, distúrbios do sono e impactos na cognição.
Estudos científicos confirmam que o estradiol desempenha funções cruciais no sistema nervoso central. Ao se ligar aos receptores cerebrais, esse hormônio desempenha um papel vital no estímulo nervoso. No entanto, com a súbita diminuição do estradiol durante a menopausa, diversos mecanismos cognitivos são prejudicados. A memória, a atenção e a velocidade de processamento sofrem déficits significativos.
Além disso, a redução dos níveis de estradiol pode estar relacionada a distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo a Doença de Alzheimer, esquizofrenia e depressão. Isso ocorre devido à diminuição dos neurônios em sistemas que desempenham um papel na proteção contra essas doenças. O envelhecimento hormonal está intrinsicamente ligado ao envelhecimento cerebral.
Durante a menopausa, muitas mulheres relatam dificuldades relacionadas ao sono. É importante observar que muitos desses distúrbios, embora mais evidentes nessa fase, podem já estar presentes antes dela. Entretanto, algumas mulheres experimentam esses sintomas pela primeira vez durante a menopausa. Isso acontece porque a queda de estradiol pode resultar em fogachos, que por sua vez podem ocorrer à noite, causando despertares noturnos e prejudicando o sono.
As alterações nos níveis de estradiol também podem afetar a resposta aos hormônios do estresse, como o cortisol, e à serotonina, que desempenha um papel crucial na estabilidade do humor. Quando esses sistemas estão desregulados, sintomas como depressão, irritabilidade e alterações de humor se manifestam, frequentemente relatados por mulheres na menopausa.
A terapia de reposição hormonal com estradiol pode melhorar muitos dos problemas mencionados. Quando iniciada nos primeiros cinco anos após o início da menopausa, seus efeitos tendem a ser mais consistentes. Estudos científicos identificaram esse período como uma “janela crítica”, destacando-o como o momento ideal para iniciar a reposição de estrógeno. Atrasar o início do tratamento com estradiol pode resultar na diminuição dos efeitos benéficos, pois o envelhecimento natural já causa comprometimento dos neurônios.
Portanto, o estradiol desempenha um papel fundamental na preservação da cognição, ajudando a prevenir a perda de neurônios, promovendo a memória e até mesmo aumentando o volume cerebral. Além disso, contribui para evitar distúrbios neuropsiquiátricos e melhora os sintomas relacionados ao sono, fogachos e humor.
Dra. Mariana Medina de Almeida Pereira
Referências:
1- Brann DW, Lu Y, Wang J, Zhang Q, Thakkar R, Sareddy GR, Pratap UP, Tekmal RR, Vadlamudi RK. Brain-derived estrogen and neural function. Neurosci Biobehav Rev. 2022 Jan;132:793-817. doi: 10.1016/j.neubiorev.2021.11.014. Epub 2021 Nov 22. PMID: 34823913; PMCID: PMC8816863.
2- Conde, Délio Marques et al. “Menopause and cognitive impairment: A narrative review of current knowledge.” World journal of psychiatry vol. 11,8 412-428. 19 Aug. 2021, doi:10.5498/wjp.v11.i8.412
3- Schelbaum, Eva et al. “Association of Reproductive History With Brain MRI Biomarkers of Dementia Risk in Midlife.” Neurology vol. 97,23 (2021): e2328-e2339.
4- Jason K. Russell, Carrie K. Jones & Paul A. Newhouse. Cognição Review. Published: 30 July 2019. The Role of Estrogen in Brain and Cognitive Aging. Neurotherapeutics volume 16, pages649–665 (2019).
Essa postagem é de caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Procure um profissional especialista antes de qualquer tratamento.


